12 de agosto de 2009

Análise e interpretação da obra:

O livro é estruturado em duas partes, a primeira maneirista, enquanto a segunda é mais barroca. Enquanto a primeira parte da obra deixa a impressão de liberdade máxima, a segunda parte produz a sensação constante de nos encontrarmos encerrados em limites estreitos. Essa sensação é sentida mais intensamente quando confrontada com a primeira parte. Se anteriormente, a ironia era, sobretudo, uma expressão amarga da impossibilidade de dar realidade a um ideal, com a segunda parte nasce muito mais da confrontação das formas da imaginação com as da realidade. Cervantes dá a sua própria definição da obra: "orden desordenada (...) de manera que el arte, imitando à la Naturaleza, parece que allí la vence". O processo adotado por Cervantes - a paródia - permite dar relevo aos contrastes, através da deformação grotesca, pela deslocação do patético para o burlesco, fazendo com que o burlesco apague momentaneamente a emoção, estabelecendo um entrelaçado espontâneo de picaresco, de burlesco e de emoção. O conflito surge do confronto entre o passado e o presente, o ideal e o real e o ideal e o social.

Dom Quixote e Sancho Pança representam valores distintos, embora sejam participantes do mesmo mundo. É importante compreender a visão irônica que o romancista tem do mundo moderno, o fundo de alegria que está por detrás da visão melancólica e a busca do absoluto. São mundos completamente diferentes. Sancho Pança o fiel escudeiro de Dom Quixote é definido por Cervantes como "Homem de bem, mas de pouco sal na moleirinha". É o representante do bom senso e é para o mundo real aquilo que Dom Quixote é para o mundo ideal. Por fim, a história também é apresentada sob a forma de novela realista: ao regressar a seu povoado, Dom Quixote percebe que não é um herói, mas que não há heróis

4 comentários:

  1. Parabéns pelo blog, encontrado ao acaso, na procura de analises sobre a magistral obra de Cervantes, um dos maiores livros que tive a oportunidade de ler, nesta vida.

    Gostaria de saber sobre outros trabalhos.

    Valeu a pena, especialmente porque a ideia nao foi de uma alma pequena.

    Mais uma vez - P A R A B É N S !

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  2. Parabéns pelo blog, encontrado ao acaso, na procura de analises sobre a magistral obra de Cervantes, um dos maiores livros que tive a oportunidade de ler, nesta vida.

    Gostaria de saber sobre outros trabalhos.

    Valeu a pena, especialmente porque a ideia nao foi de uma alma pequena.

    Mais uma vez - P A R A B É N S !

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Parabéns pelo blog, encontrado ao acaso, na procura de analises sobre a magistral obra de Cervantes, um dos maiores livros que tive a oportunidade de ler, nesta vida.

    Gostaria de saber sobre outros trabalhos.

    Valeu a pena, especialmente porque a ideia nao foi de uma alma pequena.

    Mais uma vez - P A R A B É N S !

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